Uma formação progressiva em linguagem algébrica, sistemas de numeração, indução, divisibilidade, congruências e polinômios — conectando procedimentos a justificativas matemáticas.
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a≡b
Como estudar esta apostila
Comece pelos exemplos concretos e só depois generalize. Em demonstrações, identifique claramente a hipótese usada; nos algoritmos, registre cada quociente e resto. Tente resolver os exemplos antes de revelar a resposta.
01
CAPÍTULO 1
Sistemas de numeração e bases
Representar números é codificar quantidades. O sistema posicional permite usar poucos símbolos porque o valor de cada algarismo depende da posição e da base escolhida.
SÍNTESE DO CAPÍTULO
(akak−1…a1a0)b=j=0∑kajbj
Expansão posicional na base b.
0≤aj<b
Algarismos permitidos em cada posição.
Valor posicional
Em uma base b, são usados algarismos de 0 até b−1. Da direita para a esquerda, as posições representam potências sucessivas de b: unidades, b, b2, b3 e assim por diante.
A escrita decimal é apenas o caso b=10. Computadores usam frequentemente a base 2, enquanto agrupamentos em base 8 e base 16 compactam sequências binárias.
(akak−1…a1a0)b=j=0∑kajbjExpansão posicional na base b.
0≤aj<bAlgarismos permitidos em cada posição.
Conversão entre bases
Para converter uma escrita em base b para decimal, expanda o número em potências de b. No sentido inverso, divida repetidamente pelo novo valor de base e leia os restos de baixo para cima.
Uma conversão deve ser conferida reconstruindo o valor decimal. Esse cuidado evita erros de ordem nos restos e o uso de algarismos que não existem na base.
Expanda para chegar à base 10.
Use divisões sucessivas para sair da base 10.
Confira se todo algarismo é menor que a base.
D
VOCABULÁRIO
Definições essenciais
Base
Quantidade de símbolos básicos e fator de agrupamento de um sistema posicional.
Algarismo
Símbolo usado em uma posição da representação numérica.
Representação posicional
Escrita em que o valor de um algarismo depende de sua posição.
T
RESULTADOS CENTRAIS
Teoremas e propriedades
Unicidade da representação
Todo inteiro positivo admite uma única escrita em base b≥2 quando não se permitem zeros à esquerda.
Observar muitos casos sugere uma regra, mas não a demonstra. A indução matemática transforma uma afirmação inicial e um passo de continuidade em uma prova para todos os naturais.
SÍNTESE DO CAPÍTULO
P(1)verdadeira
Caso inicial.
P(k)⇒P(k+1)
Passo indutivo.
Do padrão à demonstração
Raciocínio indutivo, no sentido cotidiano, parte de exemplos para formular uma conjectura. Raciocínio dedutivo usa premissas aceitas para concluir algo que necessariamente deve ser verdadeiro.
Uma conjectura pode sobreviver a milhares de testes e ainda falhar depois. Por isso, a Matemática separa a descoberta de um padrão da prova que garante sua validade geral.
Exemplos ajudam a descobrir.
Contraexemplo derruba uma afirmação universal.
Demonstração explica por que a regra vale em todos os casos.
Princípio de indução
A prova por indução possui duas partes. Primeiro verifica-se a base, geralmente n=1. Depois, assume-se a afirmação verdadeira para um natural k e demonstra-se que essa hipótese implica o caso k+1.
O princípio da boa ordenação afirma que todo subconjunto não vazio dos naturais possui um menor elemento. Ele é equivalente, em força lógica, ao princípio de indução e fundamenta argumentos por menor contraexemplo.
P(1)verdadeiraCaso inicial.
P(k)⇒P(k+1)Passo indutivo.
D
VOCABULÁRIO
Definições essenciais
Conjectura
Afirmação sugerida por padrões ou exemplos e ainda não demonstrada.
Hipótese de indução
Suposição temporária de que P(k) é verdadeira, usada para provar P(k+1).
Contraexemplo
Um único caso que mostra que uma afirmação universal é falsa.
T
RESULTADOS CENTRAIS
Teoremas e propriedades
Princípio de indução matemática
Se P(1) é verdadeira e, para todo k≥1,P(k) implica P(k+1), então P(n) é verdadeira para todo n natural positivo.
Dividir inteiros significa separar uma quantidade em grupos iguais e registrar o que sobra. O quociente e o resto formam uma descrição única dessa operação.
SÍNTESE DO CAPÍTULO
a=bq+r,0≤r<b
Divisão euclidiana de a por b>0.
b∣a⟺a=bqpara algum q∈Z
Definição de divisibilidade.
Algoritmo da divisão
Dados inteiros a e b, com b positivo, existem quociente q e resto r tais que a=bq+r. A condição 0≤r<b impede que o mesmo número tenha duas descrições diferentes.
Quando r=0, dizemos que b divide a. Essa linguagem permite tratar critérios, múltiplos, fatores e algoritmos sem depender de exemplos particulares.
a=bq+r,0≤r<bDivisão euclidiana de a por b>0.
b∣a⟺a=bqpara algum q∈ZDefinição de divisibilidade.
Critérios e expressão decimal
Critérios de divisibilidade são consequências da representação decimal e das congruências de potências de 10. Por exemplo, como 10 deixa resto 1 na divisão por 9, um número tem o mesmo resto que a soma de seus algarismos.
A expressão decimal de um racional termina ou entra em repetição. Isso ocorre porque, em divisões sucessivas, há apenas um número finito de restos possíveis.
Por 2: último algarismo par.
Por 5: termina em 0 ou 5.
Por 9: soma dos algarismos múltipla de 9.
Por 11: diferença alternada dos algarismos múltipla de 11.
D
VOCABULÁRIO
Definições essenciais
Quociente
Número inteiro q que indica quantos grupos completos de tamanho b cabem em a.
Resto
Inteiro r que sobra na divisão e satisfaz 0≤r<b.
Divisor
Inteiro b que divide a sem deixar resto.
T
RESULTADOS CENTRAIS
Teoremas e propriedades
Divisão euclidiana
Para a inteiro e b>0, existem únicos q e r inteiros com a=bq+r e 0≤r<b.
1
EXEMPLO RESOLVIDO
Quociente e resto
Encontre o quociente e o resto da divisão de 157 por 12.
O maior múltiplo de 12 que não ultrapassa 157 é 12⋅13=156.
Subtraia 157−156.
Confira que o resto é menor que 12.
2
EXEMPLO RESOLVIDO
Teste de divisibilidade
Sem efetuar a divisão, verifique se 48.762 é divisível por 9.
Some os algarismos: 4+8+7+6+2=27.
Como 27 é múltiplo de 9, aplique o critério.
A conclusão vale porque o número e a soma dos algarismos têm o mesmo resto por 9.
Os números primos funcionam como blocos básicos da multiplicação inteira. A fatoração revela a estrutura de um número e torna vários problemas de divisibilidade mais transparentes.
SÍNTESE DO CAPÍTULO
pprimo⟺d∣p,d>0⇒d∈{1,p}
Caracterização pelos divisores positivos.
n=p1α1p2α2⋯pkαk
Fatoração canônica.
τ(n)=i=1∏k(αi+1)
Quantidade de divisores positivos.
Primos e compostos
Um inteiro maior que 1 é primo quando possui exatamente dois divisores positivos: 1 e ele mesmo. Caso contrário, é composto e pode ser escrito como produto de inteiros menores que ele.
Para testar se n é primo, basta procurar divisores primos até n. Se existisse uma fatoração n=ab com ambos maiores que n, o produto ultrapassaria n.
pprimo⟺d∣p,d>0⇒d∈{1,p}Caracterização pelos divisores positivos.
Fatoração e quantidade de divisores
Todo inteiro positivo maior que 1 pode ser decomposto em produto de primos. Desconsiderando a ordem dos fatores, essa decomposição é única.
Na fatoração canônica de um inteiro, cada divisor escolhe um expoente entre zero e o expoente do respectivo fator primo. Multiplicar as quantidades de escolhas fornece o número de divisores positivos.
n=p1α1p2α2⋯pkαkFatoração canônica.
τ(n)=i=1∏k(αi+1)Quantidade de divisores positivos.
D
VOCABULÁRIO
Definições essenciais
Número primo
Inteiro maior que 1 com exatamente dois divisores positivos.
Número composto
Inteiro maior que 1 que admite um divisor positivo diferente de 1 e dele mesmo.
Fatoração canônica
Decomposição de um inteiro positivo em potências de primos distintos.
T
RESULTADOS CENTRAIS
Teoremas e propriedades
Teorema Fundamental da Aritmética
Todo inteiro n>1 é primo ou pode ser escrito, de modo único a menos da ordem, como produto de números primos.
1
EXEMPLO RESOLVIDO
Fatoração completa
Fatore 756 em números primos.
Divida sucessivamente por 2: 756=22⋅189.
Como 189=33⋅7, continue a decomposição.
Reúna as potências dos primos.
2
EXEMPLO RESOLVIDO
Quantidade de divisores
Quantos divisores positivos possui 756?
Use a fatoração 756=22⋅33⋅71.
Há 3 escolhas para o expoente de 2, 4 para o de 3 e 2 para o de 7.
Divisores e múltiplos comuns organizam problemas de agrupamento e periodicidade. O algoritmo de Euclides calcula o MDC com divisões sucessivas, sem fatorar números grandes.
SÍNTESE DO CAPÍTULO
gcd(a,b)=gcd(b,r),a=bq+r
Etapa do algoritmo de Euclides.
gcd(a,b)lcm(a,b)=ab
Relação entre MDC e MMC para a,b>0.
Máximo divisor comum
O MDC de dois inteiros não simultaneamente nulos é o maior inteiro positivo que divide ambos. O algoritmo de Euclides substitui o par (a,b) por (b,r), em que r é o resto de a por b.
A substituição preserva os divisores comuns: um número divide a e b exatamente quando divide b e a−bq=r. O processo termina quando o resto se torna zero.
gcd(a,b)=gcd(b,r),a=bq+rEtapa do algoritmo de Euclides.
Mínimo múltiplo comum
O MMC é o menor múltiplo positivo comum. Na fatoração, usa o maior expoente de cada primo presente; o MDC usa o menor expoente comum.
Para inteiros positivos, o produto do MDC pelo MMC é igual ao produto dos números. Essa relação permite obter uma das medidas quando a outra é conhecida.
gcd(a,b)lcm(a,b)=abRelação entre MDC e MMC para a,b>0.
D
VOCABULÁRIO
Definições essenciais
MDC
Maior divisor positivo comum aos inteiros considerados.
MMC
Menor múltiplo positivo comum aos inteiros considerados.
Coprimos
Inteiros cujo máximo divisor comum é 1.
T
RESULTADOS CENTRAIS
Teoremas e propriedades
Identidade de Bézout
Existem inteiros x e y tais que ax+by=mdc(a,b).
1
EXEMPLO RESOLVIDO
Algoritmo de Euclides
Calcule mdc(252,198).
252=198⋅1+54.
198=54⋅3+36 e 54=36⋅1+18.
36=18⋅2+0; o último resto não nulo é 18.
2
EXEMPLO RESOLVIDO
Encontros periódicos
Dois avisos aparecem a cada 18 e 24 minutos. Se coincidiram agora, em quanto tempo coincidirão novamente?
O próximo encontro deve ser múltiplo de 18 e de 24.
Uma equação diofantina procura soluções inteiras. Na forma ax+by=c, a existência depende da relação entre c e o máximo divisor comum dos coeficientes.
SÍNTESE DO CAPÍTULO
ax+by=ctem soluc¸a˜o⟺gcd(a,b)∣c
Critério de existência.
x=x0+dbt,y=y0−dat,d=gcd(a,b)
Família de soluções inteiras.
Condição de existência
A equação ax+by=c possui solução inteira exatamente quando mdc(a,b) divide c. A identidade de Bézout fornece uma solução particular quando essa condição é satisfeita.
Depois de encontrar um par (x0,y0), todas as soluções são obtidas adicionando múltiplos apropriados. Restrições como x≥0 e y≥0 selecionam apenas parte dessa família.
ax+by=ctem soluc¸a˜o⟺gcd(a,b)∣cCritério de existência.
x=x0+dbt,y=y0−dat,d=gcd(a,b)Família de soluções inteiras.
Modelagem discreta
Problemas de moedas, pacotes, ingressos e combinações de medidas levam naturalmente a equações diofantinas. O contexto costuma exigir soluções não negativas, mesmo que a equação admita infinitas soluções inteiras.
Uma estratégia eficiente é simplificar a equação pelo MDC, encontrar uma solução por inspeção ou pelo algoritmo de Euclides estendido e só então impor as restrições do problema.
Verifique o MDC antes de tentar resolver.
Encontre uma solução particular.
Escreva a família geral.
Aplique as condições do contexto.
D
VOCABULÁRIO
Definições essenciais
Equação diofantina
Equação cujas soluções procuradas pertencem aos números inteiros.
Solução particular
Um par específico que satisfaz a equação.
Solução geral
Descrição parametrizada de todos os pares inteiros que satisfazem a equação.
T
RESULTADOS CENTRAIS
Teoremas e propriedades
Critério de resolubilidade
A equação ax+by=c admite solução inteira se, e somente se, mdc(a,b) divide c.
1
EXEMPLO RESOLVIDO
Família de soluções
Resolva em inteiros 18x+30y=6.
Divida por 6: 3x+5y=1.
Uma solução é x0=2 e y0=−1.
Como mdc(3,5)=1, varie x em múltiplos de 5 e y em múltiplos opostos de 3.
2
EXEMPLO RESOLVIDO
Combinação de ingressos
Ingressos de R$ 7 e R$ 11 totalizaram R$ 75. Quantos de cada tipo podem ter sido vendidos, sabendo que as quantidades são não negativas?
Modele 7x+11y=75.
Módulo 7: 4y≡5; multiplicando pelo inverso 2, y≡3 (mod 7).
O único valor não negativo compatível com o total é y=3; então x=6.
Polinômios repetem várias ideias dos inteiros: grau organiza o tamanho, existe divisão com resto e o algoritmo de Euclides também calcula máximos divisores comuns.
SÍNTESE DO CAPÍTULO
P(x)=anxn+⋯+a1x+a0,an=0
Polinômio de grau n.
deg(PQ)=degP+degQ
Grau de um produto não nulo.
P(x)=D(x)Q(x)+R(x),degR<degD
Divisão euclidiana de polinômios.
Estrutura e operações
Um polinômio em x é uma soma finita de termos aₖxᵏ. O maior expoente com coeficiente não nulo é o grau. Somar combina coeficientes de mesmo grau; multiplicar distribui os termos e soma expoentes.
Sobre um corpo, como os reais ou racionais, todo coeficiente não nulo pode ser dividido. Essa possibilidade garante uma divisão polinomial análoga à divisão euclidiana.
P(x)=anxn+⋯+a1x+a0,an=0Polinômio de grau n.
deg(PQ)=degP+degQGrau de um produto não nulo.
Divisão com resto
Dados P e D não nulo, existem únicos Q e R tais que P=DQ+R, com R=0 ou grau de R menor que o grau de D.
Quando D=x−a, o resto é o número P(a). Essa forma rápida, conhecida como Teorema do Resto, conecta divisão e raízes.
P(x)=D(x)Q(x)+R(x),degR<degDDivisão euclidiana de polinômios.
P(x)=(x−a)Q(x)+P(a)Teorema do Resto.
D
VOCABULÁRIO
Definições essenciais
Coeficiente
Número que multiplica uma potência da variável.
Grau
Maior expoente com coeficiente não nulo.
Polinômio mônico
Polinômio cujo coeficiente líder é 1.
T
RESULTADOS CENTRAIS
Teoremas e propriedades
Lema da divisão
Para polinômios P e D=0 sobre um corpo, existem únicos Q e R com P=DQ+R e R=0 ou grau de R menor que o de D.
1
EXEMPLO RESOLVIDO
Divisão por um binômio
Divida P(x)=2x3+3x2−5x+1 por x−2.
Use a divisão sintética com o valor 2 e coeficientes 2, 3, −5 e 1.
Produza sucessivamente 2, 7, 9 e resto 19.
Monte o quociente com os três primeiros resultados.
Uma raiz transforma um fator linear em zero. Fatorar um polinômio expõe suas raízes, multiplicidades e blocos que não podem mais ser decompostos no conjunto numérico escolhido.
SÍNTESE DO CAPÍTULO
P(a)=0⟺(x−a)∣P(x)
Teorema do Fator.
P(x)=(x−a)mQ(x),Q(a)=0
Raiz de multiplicidade m.
Raízes e fatores
O número a é raiz de P quando P(a)=0. Pelo Teorema do Fator, isso acontece exatamente quando x−a divide P.
Uma raiz de multiplicidade m corresponde ao fator (x−a)m. No gráfico real, multiplicidade par costuma produzir contato com o eixo; multiplicidade ímpar produz travessia.
P(a)=0⟺(x−a)∣P(x)Teorema do Fator.
P(x)=(x−a)mQ(x),Q(a)=0Raiz de multiplicidade m.
Irredutibilidade e conjunto de coeficientes
Um polinômio é irredutível quando não pode ser escrito como produto de polinômios de graus menores no conjunto de coeficientes considerado. A resposta pode mudar ao ampliar esse conjunto.
Por exemplo, x2+1 é irredutível sobre os reais, mas se decompõe em (x−i)(x+i) sobre os complexos. Portanto, toda afirmação de irredutibilidade deve indicar o contexto.
Procure raízes racionais entre divisores do termo constante.
Use agrupamento e produtos notáveis.
Verifique multiplicidades.
Declare o conjunto de coeficientes.
D
VOCABULÁRIO
Definições essenciais
Raiz
Valor a para o qual P(a)=0.
Multiplicidade
Maior expoente m para o qual (x−a)m divide P.
Irredutível
Polinômio não constante que não se decompõe em fatores não constantes de graus menores no conjunto escolhido.
T
RESULTADOS CENTRAIS
Teoremas e propriedades
Teorema Fundamental da Álgebra
Todo polinômio complexo não constante possui ao menos uma raiz complexa e, contando multiplicidades, um polinômio de grau n possui n raízes complexas.
1
EXEMPLO RESOLVIDO
Fatoração por agrupamento
Fatore P(x)=x3−4x2−x+4.
Agrupe x2(x−4)−1(x−4).
Coloque x−4 em evidência.
Fatore a diferença de quadrados x2−1.
2
EXEMPLO RESOLVIDO
Leitura da multiplicidade
Quais são as raízes e multiplicidades de P(x)=(x−2)2(x+3)?
Cada fator linear se anula quando seu interior é zero.